Encontro com participação de parlamentares europeus e ativistas expõe ataque a imigrantes e direitos trabalhistas
Da Palestina aos EUA, lideranças relatam efeitos da extrema direita e defendem articulação internacional
16/05/2026
por
Igor Carvalho – Brasil de Fato

Durante o seminário “A saída é pela esquerda: estratégias para derrotar a extrema direita”, promovido pela Fundação Rosa Luxemburgo, em São Paulo (SP), Imad Touma, representante do Partido Popular Palestino, alertou sobre a aliança internacional protagonizada pelos governos dos EUA, chefiado por Donald Trump, e Israel, comandado por Benjamin Netanyahu.

“Isso tudo não teria acontecido se não houvesse uma aliança firme entre Israel e as potências bélicas do Ocidente. Portanto, os nossos inimigos são os mesmos. A aliança internacional que ataca Venezuela e Cuba, ataca a Palestina. Eu creio que isso não é novo e o fato de estarmos aqui é que ainda temos esperança”, afirmou Touma.

O evento deste sábado (16), que tem como objetivo a troca de experiências e práticas de campanhas eleitorais bem-sucedidas, com a participação de representantes de 26 países, teve, ainda, a exposição de Catarina Martins, ex-deputada portuguesa e candidata à presidência do país em 2026, pelo Bloco de Esquerda; Clara Bünger, deputada alemã pelo partido Die Linke; e Ashik Siddique, membro dos Socialistas Democráticos da América, dos EUA.

Martins falou sobre a experiência portuguesa com o avanço do Chega, partido de extrema-direita do país. Segundo ela, entre 2015 e 2019 o paíse teve um governo de base socialista, “um governo dos mais festejados da nossa história recente”. “Um governo em que a classe trabalhadora teve suas condições de vida melhorada”, resumiu.

“Neste momento, começa a entrar a narrativas perigosas, com notícias falsas, como um relógio que disseram que eu tinha, que valia R$ 20 milhões, que eu nunca tive. Também vieram notícias como banheiro compartilhados, que nós nem sabíamos de onde vinham. Em 2019, a extrema-direita não venceu as eleições presidenciais, mas elegeram seu primeiro deputado”, relatou.

Em 2026, acontecerão as eleições estaduais na Alemanha. Clara Bünger alertou que os alemães ligados a grupos conservadores elegeram os imigrantes como principal foco de ataque, tentando expandir sua capacidade eleitoral.

“A direita tem falado em deportação em massa de pessoas, não é retórico, não é discurso, o partido de direita da Alemanha colocou isso em seu programa para as eleições desse ano, que serão disputadas nos estados”, apontou a parlamentar alemã.

Clara argumentou que extrema direita busca “acabar com as políticas para refugiados e implementar uma polícia para refugiados, com o intuito de expulsá-los do país”. “É um programa fascista”, sintetizou.

Ashik Siddique falou sobre a dificuldade de organizar resistência nos EUA, centro do império. “Nas eleições de 2024, havia um discurso de medo sobre imigrantes, Trump apontava para os imigrantes como drogados e perigosos, mas não havia uma mensagem alternativa, nem mesmo na campanha de Kamala Harris. Então, pessoas trans e imigrantes, por exemplo, eram descartadas com facilidade”, afirmou o ativista.

Ele também denunciou a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) na região. “Temos alguns sinais de resistência, como aconteceu em Minneapolis, onde há notícias de grupos antifascistas surgindo, para reagir à violência brutal contra os grupos de imigrantes.”

*Esta produção é uma parceria entre Fundação Rosa Luxemburgo e Brasil de Fato.

Editado por: Rodrigo Chagas

No terceiro e último dia do evento organizado pela Fundação Rosa Luxemburgo, lideranças fizeram um diagnóstico sobre a atuação da extrema direita ao redor do mundo. | Crédito: Igor Carvalho/Brasil de Fato

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