Visitas aproximaram convidados da Conferência Internacional A saída é pela esquerda de experiências brasileiras de organização popular, educação política e produção crítica de conhecimento sobre moradia e desigualdade urbana
Cozinhas Solidárias, formação política e direito à cidade marcam agenda de representantes da Fundação Rosa Luxemburgo
26/05/2026
por
Katarine Flor
São Paulo – Entre redes de solidariedade, organização comunitária, espaços de formação política e centros de reflexão urbana, a passagem de representantes internacionais da Fundação Rosa Luxemburgo e do Partido Popular Palestino pelo Brasil incluiu uma imersão em experiências que articulam moradia, segurança alimentar, educação popular e direito à cidade.No dia 18 de maio, Philip Degenhardt, diretor do Centro de Diálogo Internacional e Cooperação da Fundação Rosa Luxemburgo, e Imad Touma, representante do Partido Popular Palestino, visitaram uma Cozinha Solidária organizada pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), em São Paulo.
A agenda integrou a passagem da comitiva pelo país para participar da Conferência Internacional A saída é pela esquerda, organizada pela Fundação Rosa Luxemburgo – Brasil e Paraguai.A visita foi acompanhada por Andreas Behn, diretor do escritório da fundação no Brasil e Paraguai, e Elisangela Soldatelli, coordenadora do Programa Latino-Americano de Clima e Energia da instituição.
Cozinha Solidária como rede de cuidado e organização popular
Mais do que um espaço de distribuição de alimentos, a Cozinha Solidária apresentou à comitiva uma experiência de organização comunitária voltada ao acolhimento de moradores em situação de vulnerabilidade, articulando segurança alimentar, apoio social e redes de cuidado.Philip Degenhardt destacou que a visita evidenciou o papel da organização popular na garantia de direitos e no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.“A visita à Cozinha Solidária foi uma experiência muito impactante. Trata-se de um espaço de acolhimento para pessoas da região que, de outra forma, muitas vezes não teriam condições de acessar alimentos. Ali, elas não apenas recebem comida, mas também encontram apoio social e uma rede de solidariedade.
”Segundo ele, a iniciativa ultrapassa a distribuição de alimentos e se consolida como uma rede de apoio construída pela própria comunidade.“Mesmo após conquistarem moradia por meio da ocupação, muitos seguem atuando no movimento com o desejo de melhorar a vida de outras pessoas. Permanecem mobilizados porque compreendem que essa luta precisa alcançar uma parcela mais ampla da sociedade e ampliar o acesso à moradia digna.”
Escola Florestan Fernandes e a centralidade da formação política
No dia seguinte, 19 de maio, Philip Degenhardt visitou a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), espaço de formação política e educação popular vinculado ao MST. A agenda foi acompanhada por Andreas Behn e Jorge Pereira, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo.Durante a visita, a comitiva conheceu a estrutura da escola, reconhecida por articular formação política, educação popular e intercâmbio entre movimentos sociais do Brasil e de outros países.Para Andreas Behn, a ENFF simboliza o papel estratégico da formação política na construção de alternativas coletivas.
“A visita à Escola Nacional Florestan Fernandes foi muito significativa porque materializa algo fundamental para os movimentos populares: a formação política como ferramenta de transformação social. A ENFF é mais do que um espaço educativo; representa um projeto construído coletivamente, baseado em solidariedade, pensamento crítico e organização popular. Em um momento de avanço global da extrema direita e de aprofundamento das crises sociais, experiências como essa mostram a importância de fortalecer redes internacionais de diálogo, formação e cooperação entre movimentos e organizações comprometidos com a justiça social.”
Direito à cidade e produção crítica de conhecimento
Na tarde do mesmo dia, 19 de maio, Philip Degenhardt deu continuidade à agenda em São Paulo com uma visita ao LabCidade, laboratório vinculado à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), dedicado à produção crítica de conhecimento sobre cidade, território, moradia e desigualdades urbanas.Na ocasião, Philip conversou com a equipe do LabCidade, incluindo as professoras Raquel Rolnik e Isadora Guerreiro, em um intercâmbio aprofundado sobre direito à cidade, habitação e políticas urbanas. A agenda foi acompanhada por Andreas Behn e Daniel Santini, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo.O encontro aprofundou o intercâmbio em torno de temas relacionados à urbanização, justiça territorial, moradia e desafios contemporâneos das grandes cidades, ampliando o diálogo entre experiências populares, produção acadêmica crítica e debates internacionais sobre democracia e desigualdade urbana.
Intercâmbio internacional e diálogo entre lutas locais e globais
As visitas integraram a programação paralela da Conferência Internacional A saída é pela esquerda, que reuniu representantes de diferentes países para debater o avanço global da extrema direita, a solidariedade internacional, a democracia e caminhos de articulação política diante das crises sociais contemporâneas.Ao aproximar convidados internacionais de experiências concretas de organização popular, espaços de formação política e centros de produção crítica de conhecimento no Brasil, a agenda reforçou o intercâmbio entre lutas locais e debates globais sobre moradia, justiça social, participação política e construção coletiva de alternativas.