FRL mapeia mais de 700 projetos de geração de energia renovável em nove países latinos

Por: FRL

 

 

O estudo “Energia na América Latina: do negócio ao comum” mapeou mais de 700 projetos alternativos de geração de energia renovável, em nível local, em nove países da América Latina. A publicação foi elaborada pela Fundação Rosa Luxemburgo no Brasil com colaboração dos escritórios da Argentina, México e Equador. Entre as experiências mapeadas está a Padaria Solar, na comunidade Várzea Comprida dos Oliveiras, na Paraíba (Brasil).

Atualmente, a Padaria Solar é formada por 19 mulheres, que trabalham com três equipes semanais e produz cerca de 600 kg de produtos por semana. Desses, mais de 400 kg são entregues ao município por meio da Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), para serem distribuídos como lanche. O restante dos produtos é vendido na comunidade. Além de pão e biscoitos, também são produzidos vários tipos de pudins com sabores e insumos típicos da região, como milho, cenoura, mandioca e leite. A renda das vendas é usada para cobrir os custos de produção e o excedente é compartilhado igualmente entre as mulheres. Até hoje não há um mês de déficit, pelo contrário, sempre foi possível pagar as despesas e compartilhar o excedente.

O sistema, atualmente opera com 12 painéis solares, produz 400 kw por hora de energia e tem capacidade instalada de 3,2kWp.  Além disso, gera uma reserva de energia, que, de acordo com a Resolução Normativa 687/2017 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), é mantida como crédito pela empresa ENERGISA.

 

Padaria Solar – Foto: Fabrina Furtado

 

Outras experiências

Pela diversidade e riqueza política das experiências visitadas, em contextos nacionais diversos, este é um primeiro trabalho que realizamos, onde selecionamos outras três experiências. Na Guatemala, foi selecionado o projeto de fornecimento de eletricidade (54 kw) através de pequenas usinas hidrelétricas comunitárias da associação “Luz de los heroes y mártires de la resistencia” da comunidade União 31 de Mayo (San Miguel de Uspantán – Quiché/Guatemala).

No Uruguai, foi elegido o caso da Empresa pública Administração Nacional de Usinas e Transmissões de Energia Elétrica (UTE). A escolha está diretamente relacionada com a relevância do processo de organização dos trabalhadores em defesa do rol público da água e da energia.

Na Colômbia, foi incluída a iniciativa de energia solar em um viveiro comunitário gestionado pela Asociación Municipal de Mujeres Campesinas de Lebrija (AMMUCALE) e moradores da Vereda El Aguirre, com a colaboração do Colectivo de Reservas Comunitarias Campesinas de Santander (CRCCS). Este projeto também se relaciona com a busca pela soberania energética, alimentar e justiça de gênero.

A pesquisa evidencia a importância de se pensar sobre a transição energética justa a partir de grupos organizados e comunidades em nível local. A partir de casos concretos se destaca a existência de práticas contra hegemônicas e de descentralização da energia, capazes de disputar a orientação do sistema energético e a lógica de acumulação em seu conjunto.

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