Lançamento do Ponto de Debate “Um vácuo ‘cis’ na história e a emergência do corpo trans”

 

A ativista transgênera, mulher, negra e ameríndia Neon Cunha e a professora, escritora e militante da visibilidade trans Sara Wagner York participam, no dia 17 de novembro, às 19h, do lançamento Ponto de Debate Um vácuo cis e a emergência do corpo trans.  A mediação será realizada por Christiane Gomes, coordenadora de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo – Brasil e Paraguai.  O evento será transmitido na página de Facebook e no canal do Youtube da fundação.

 Cunha e York são autoras do Ponto de Debate que será disponibilizado no início da conversa. Confira abaixo a introdução do artigo:

Muitas palavras têm sido acionadas para descrever os aspectos locais e globais nos quais estamos inseridas enquanto espécie: humanidade, diversidade, coletividade, irmandade e democracia são algumas delas. Este texto apresenta alguns tópicos que criaram condições de emergência para a cena nacional de implementação de direitos para um dos grupos minoritários mais deslegitimados da História: o corpo trans e travesti.

Grande parte dos estudos relacionais e biossocioambientais traz, há muito, uma versão humana que amplamente se afasta dos padrões naturais em nossas culturas, o que alocaria nossa espécie como sendo parte constitutiva de múltiplas e complexas compreensões. Aspectos dicotômicos como, por exemplo, a luta do bem contra o mal, natureza e cultura, corpo e mente, homem e mulher em âmbitos binários, passam a fazer parte das situações nocivas e forjadas na criação da cena humana polarizada.

A noção de cisgeneridade foi proposta pela transexual Julia Serano em 2007, na obra Whipping girl: a transsexual woman on sexism and the scapegoating of femininity (A garota do chicote: uma mulher transexual sobre sexismo e o bode expiatório da feminilidade), a partir da análise da origem do prefixo “trans”: o outro, em oposição ao “cis”, que na química orgânica também pode ser chamado de “Z”, de zee zame zide, do mesmo lado (YORK, 2020).

A cisgeneridade indica a existência de uma norma que produz efeitos de ideal regulatório, expectativas e universalização da experiência humana. Em termos gerais, a norma cisgênera é uma das matrizes normativas das estruturas sociais, políticas e patriarcais, cujos ideais produzem efeitos de vida e de atribuição identitárias extremamente rígidas. De forma compulsória no momento de registro de cada pessoa, a atribuição identitária define e naturaliza sua designação em um dos polos do sistema de sexo/gênero (RUBIN, 1975), a partir de uma leitura restrita, baseada na aparência dos órgãos genitais ao nascer. Além disso, a norma cisgênera afirma que essa designação é imutável, fixa, cristalizada ao longo da vida da pessoa (CIDADE, 2016, p. 13-14).

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