Não à guerra. Solidariedade com o povo ucraniano - Fundação Rosa Luxemburgo

Não à guerra. Solidariedade com o povo ucraniano

Johanna Bussemer, Fabian Wisotzky, Boris Kanzleiter

A invasão, por parte da Rússia, de diversas regiões da Ucrânia não representa apenas o triste fim dos esforços da política de paz no Leste Europeu desde os anos 1990, mas também impõe às esquerdas de todo o mundo um teste desafiador.

Por mais importante que seja aderir aos valores básicos da política de esquerda, insistir na diplomacia contra a guerra e na inclusão da Rússia em uma nova arquitetura de segurança para a Europa, também devemos reconhecer que o projeto político do atual governo russo nada tem a ver com esses valores fundamentais. A guerra contra a Ucrânia —e todas as consequências derivadas desse conflito— só é possível condenar e rechaçar.

As imagens que nos chegam são perturbadoras, e vêm acompanhadas de informações sobre feridos e mortos. A vítima dessa agressão é o povo ucraniano, e com ele está nossa solidariedade. São exatamente as cenas que esperávamos nunca mais testemunhar.

A Ucrânia é um dos países mais pobres da Europa e sua sociedade vive em uma situação tensa há muitos anos. Por isso, não é surpresa que o nacionalismo, o ódio e o rancor tenham encontrado abrigo certo lá. A guerra fragilizará ainda mais a economia ucraniana, com a interrupção do investimento internacional. É previsível que os ataques dos últimos dias destruíram tanta infraestrutura que vão exigir um plano de reconstrução.

A guera e os deslocamentos massivos dentro da Ucrânia e em direção às fronteiras ocidentais vão marcar o futuro do país por muitos anos. É responsabilidade da União Europeia e de seus Estados Membros que suas fronteiras permaneçam abertas e que a situação humanitária seja atendida por todos os meios necessários. A liberação de visto de viagem para o povo ucraniano é uma boa medida para que este possa encontrar refúgio na União Europeia. Obstáculos burocráticos como a prova de vacinação com imunizante reconhecido pela União Europeia deveriam ser suspensos, uma vez que muitos ucranianos foram vacinados com imunizantes chineses. A União Europeia deveria ainda criar um fundo para ajudar os países fronteiriços à Ucrânia na acolhida de refugiados.

Acima de tudo, condenamos com absoluta firmeza as ações da Rússia. Sabemos que a situação é complexa e, por isso, será difícil encontrar soluções simples que induzam a Rússia a cessar hostilidades. Em qualquer caso, não se deve responder à violência com mais violência, pois é perigoso demais perpetuar essa espiral. As soluções devem ser firmes, mas também diplomáticas. As sanções podem ajudar a bloquear canais de financiamento, mas sempre existe o perigo de que elas também afetem as pessoas erradas —os mais pobres da Rússia — e, assim, alimentar nacionalismos. A única maneira de alcançar a paz é buscar soluções com base na Carta das Nações Unidas. É necessário demonstrar à Rússia com determinação que a comunidade internacional condena toda forma de invasão e de violação do Direito Internacional. Não obstante, uma solução ao conflito tem de ser buscada também com a Rússia. Para tanto, o Ocidente deve desenvolver, em parceria com a Ucrânia e os demais países da região, uma nova arquitetura de defesa para além da OTAN e uma nova política de distensão europeia.

Mesmo que o caminho seja longo, o militarismo sempre leva a vítimas civis, e isso sempre devemos evitar. É necessário que uma ampla aliança internacional incluindo a sociedade civil e as esquerdas da Rússia e da Ucrânia envie uma mensagem clara: Abaixem as armas! Não à guerra!

Artigo publicado originalmente em espanhol

WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux