Pacha Manas

Promover e revitalizar os cuidados às mulheres, entrelaçando o cultivo, os usos ancestrais de plantas medicinais e a arte têxtil: esta é a proposta do projeto Pacha Manas, um projeto realizado com o apoio do Goethe-Institut e da Fundação Rosa Luxemburgo.

A proposta busca criar interconexões e espaços de diálogo, solidariedade e afeto entre mulheres que, apesar ou graças às suas diferenças, querem se encontrar e compartilhar suas próprias experiências e sentires sobre o aborto, assunto complexo e de suma importância, que permeia a realidade de todas as mulheres.

A partir das experiências autobiográficas de seus respectivos abortos, as artistas Margherita Isola e Marina Alegre contrastam a violência, a solidão e a dor com que a experiência do aborto é silenciada, invisibilizada e na maioria das vezes censurada, encontrando aliadas entre mulheres e plantas, juntas das quais podem coletivizar feridas, raivas, esperanças e desenvolver um projeto artístico a mais mãos, colocando no coração do processo criativo a imagem do círculo.

DOIS ENCONTROS EM NOVEMBRO

  1. O primeiro acontece de forma virtual no dia 7 de novembro (sábado), às 16h, no canal YouTube do Goethe-Institut, com a participação da filósofa, educadora e artesã indígena Cristine Takuà, que vive na aldeia do Rio Silveira, onde é professora da Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kuai’, Eliana Rodriguez, professora e coordenadora do Centro de Estudos Etnobotânicos e Etnofarmacológicos da UNIFESP, Cleone Santos, fundadora do grupo Mulheres da Luz e presidente da ONG Agentes da Cidadania, e Andreia Alves, dançarina e coreógrafa e integrante da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do grupo Ilú Obá de Min.
  2. O segundo encontro está previsto para o dia 28 de novembro, de forma presencial, no jardim do Goethe-Institut, convidando mais mulheres de saberes situados, que participam e articulam do encontro junto às duas artistas e às mulheres do público. Neste circulo o compartilhamento de reflexões e experiências sobre aborto se dará de forma mais íntima e profunda, permitindo criar uma ligação mais tangível entre as nossas aliadas plantas e as mulheres. Neste dia as artistas criarão no jardim, junto com as participantes, uma mandala de plantas medicinais relacionadas à saúde e bem-estar da mulher, incluída a fertilidade, a capacidade e a liberdade reprodutiva.

Pacha Manas é um projeto realizado com o apoio do Goethe-Institut e da Fundação Rosa Luxemburgo que busca promover e revitalizar o cuidado às mulheres, entrelaçando o cultivo, os usos ancestrais de plantas medicinais e a arte têxtil, ressignificando-as como práticas poético-políticas de resistência, encarnadas por uma diversidade de mulheres e vozes femininas e feministas. As plantas envolvidas no projeto vêm de latitudes diferentes e são todas de uso medicinal, sendo portanto aliadas preciosas que nos cuidam e nos ensinam o caminho do cuidado mútuo, em relação ao nosso corpo físico, emocional e espiritual.

Como artistas e experimentadoras da arte têxtil, Marina Freitas e Margherita Isola entendem o bordado como uma prática reparadora que permite denunciar as violências, os lutos e as lutas que atravessam os corpos das mulheres. Além disso, o bordado é para elas uma prática ancestral feminina relacionada também ao tecer, outro grande arquétipo do ato de criação da realidade, do mundo dos vivos e dos mortos. Em paralelo e em sinergia com a dinâmica do círculo, as duas artistas criam “O Muro”, obra que propõe quebrar o silêncio e falar sobre o aborto, cuja criminalização se estende a quase toda a América Latina, causando milhares de vítimas a cada ano, pois vale lembrar que, segundo a OMS, a cada dois dias uma mulher morre de complicações por aborto ilegal no país, a maiorias delas são mulheres negras, pobres e jovens. Neste Muro estão instaladas bolsas de plantio em formato de vulva que servem como abrigo para plantas abortivas tradicionais, como Arruda, Melão de São Caetano e Buchinha do Norte, entre outras.

PARTICIPANTES

Margherita Isola é artista e performer de origem mediterrânea, que vive e trabalha de forma itinerante. Formada como bailarina contemporânea, a artista apresentou em várias exposições e festivais internacionais incluindo uma pessoal ao Museu da Renda & Moda-Bruxelas. Envolvida em projetos sociais e com migrantes, atualmente Margherita está participando do Programa de Estudos Independente do MACBA, em Barcelona.

Marina Alegre é artista, geógrafa, educadora ambiental. Seus projetos convergem arte, educação ambiental e vulnerabilidade social. Participou da criação de hortas comunitárias em praças públicas e escolas em diferentes bairros de São Paulo e de diversas oficinas sobre agricultura urbana agroecológica. Desde 2017 produz as Bolcetas, bolsas de plantio em formato de vulva como forma de celebração à fertilidade feminina.​

Cristine Takuà: filósofa, educadora e artesã indígena. Vive na aldeia do Rio Silveira onde é professora da Escola Estadual Indígena Txeru Ba’e Kuai’ e também auxilia nos trabalhos espirituais na casa de reza. É também Fundadora e diretora do Instituto Maracá e representante do núcleo de educação indígena dentro da Secretaria de Educação de SP e membro fundadora do FAPISP (Fórum de Articulação dos Professores Indígenas do Estado de SP).

Eliana Rodriguez: pesquisadora pós-doutora, professora e coordenadora do Centro de Estudos Etnobotânicos e Etnofarmacológicos da UNIFESP. Atualmente tem dedicado estudos na área de uso e manejo tradicional, na perspectiva da etnobotânica participativa.

Cleone Santos: Fundadora do grupo Mulheres da Luz e atual presidente da Agentes da Cidadania. ONG que busca promover a cidadania e a garantia dos direitos humanos das mulheres em situação de prostituição na região do Parque da Luz, no centro da cidade de São Paulo.

Andreia Alves: dançarina e coreógrafa e integrante da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do grupo Ilú Obá de Min. Recentemente dirigiu o vídeo “Como é ser mãe de meninos pretos em uma sociedade racista?”

➡ Mais informações:
Ilustração da artista visual Ingrid Cuestas @carambombo

  • Economia feminista e ecológica: resistências e retomadas de corpos e…

  • A perspectiva feminista de ação e resistência na América Latina

  • Feminismo Negro: Resistência e Ação
  • Input your search keywords and press Enter.