FUNDAÇÃO ROSA LUXEMBURGO PROMOVE REUNIÕES COM LIDERANÇAS DA ESQUERDA - Fundação Rosa Luxemburgo
TRANSIÇÃO DE DIRETORIA

FUNDAÇÃO ROSA LUXEMBURGO PROMOVE REUNIÕES COM LIDERANÇAS DA ESQUERDA

Uma delegação de dirigentes da Fundação Rosa Luxemburgo (FRL) na Alemanha se reuniu, entre 21 e 24 de agosto, com lideranças da esquerda brasileira e participou da cerimônia de transição de diretoria do escritório no país.

O grupo foi encabeçado pelo presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum. Também participaram da agenda o diretor do departamento Internacional da FRL, Boris Kanzleiter, a diretora do Departamento para a América Latina da FRL, Karin Gabbert, e o novo diretor da FRL em São Paulo, Andreas Behn.

Diretor do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo, Andreas Behn, diretor do Centro de Diálogo e Cooperação Internacional da FRL, Boris Kanzleiter, diretora da América Latina da FRL, Karin Gabbert, ex-diretor do escritório, presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, Torge Loeding – Foto: Verena Glass

CONVERSAS À ESQUERDA

Um dos principais compromissos da delegação foi uma reunião o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e sua equipe de campanha, quando dialogaram sobre a defesa da democracia, os desafios enfrentados por movimentos populares no Brasil e a crise militar na Europa.

O presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, presenteia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um quadro com reportagens sobre Lula em alemão – Foto: Ricardo Stuckert

A reunião contou também com a presença do ex-ministro Celso Amorim, do presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante, e da presidenta do PT, Gleisi Hoffman. Lula apresentou o cenário da disputa eleitoral, elencando os desafios de concorrer com o atual mandatário do país.

O ex-presidente destacou a dificuldade de enfrentar um adversário que utiliza a máquina pública para conseguir mais votos e que tem ameaçado as instituições democráticas. Entre os efeitos da política do atual governo, foram destacados: a crise social e o crescimento da fome; a devastação da Floresta Amazônica; o desemprego e a crise econômica.

Com relação à questão internacional, Lula reforçou sua preocupação pela busca de uma saída pacífica e diplomática para o conflito na Europa. E acrescentou que o fortalecimento dos laços entre Brasil e Alemanha, bem como do Mercosul da União Europeia seria muito importante, ressaltando que seria preciso repensar os termos do atual acordo entre os dois blocos comerciais. Lula defendeu que sejam reforçados os vínculos entre os partidos PT e Linke, bem como entre as Fundações Perseu Abramo e Rosa Luxemburgo.

Diretor do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo, Andreas Behn, ex-diretor do escritório, Torge Loeding, presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, diretora da América Latina da FRL, Karin Gabbert, presidenta da Fundação Lauro Campos/ Marielle Franco, Natalia Szermeta, presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e diretor do Centro de Diálogo e Cooperação Internacional da FRL, Boris Kanzleiter – Foto: divulgação.

Em reunião com o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e com a presidenta da Fundação Lauro Campos/ Marielle Franco, Natalia Szermeta, a delegação alemã discutiu os desafios para a esquerda brasileira.

Juliano Medeiros, primeiro suplente na chapa paulista ao Senado liderada por Márcio França, destacou o momento desafiador que se está enfrentando no Brasil, com tantas ameaças aos direitos sociais, às instituições democráticas e à natureza.

O dirigente do PSOL apresentou ao mesmo tempo uma análise positiva sobre o fortalecimento do partido, com apoio crescente nos setores mais jovens, com a apresentação de novos quadros para as disputas eleitorais, com recorte de gênero, classe e raça.

Natalia Szermeta ressaltou a importância da parceria da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco com a Fundação Rosa Luxemburgo, destacando o potencial para futuras cooperações diante de um cenário desafiador que se apresentará à esquerda global.

GÊNERO, RAÇA E CLASSE

Os integrantes da FRL também se reuniram com a coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, que destacou a importância do aumento de representantes indígenas no parlamento.

Presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, diretor do Centro de Diálogo e Cooperação Internacional da FRL, Boris Kanzleiter, coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, ex-diretor do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo, Torge Loeding – Foto – divulgação.

A coordenadora da Apib avaliou que a população indígena é a parte da sociedade brasileira mais vulnerável e atacada pelo atual mandatário. Por isso, segundo ela, é importante que os parlamentos estaduais e federais tenham mais representação indígena para proteger as leis ambientais e de defesa dos territórios.

Guajajara analisa que a esquerda brasileira ainda não conseguiu introjetar totalmente as realidades das populações indígenas e tradicionais e suas demandas. Precisa se esforçar mais para entender as demandas, compreender as realidades e abraçar, sem restrições e equívocos, as pautas indígenas e territoriais.

Na ocasião, a coordenadora da Arpib afirmou que a organização é contrária ao acordo Mercosul-UE uma vez que ele pode ser prejudicial aos povos dos territórios. Ela destacou ainda a importância da participação indígena na próxima COP do Clima e manifestou interesse em manter diálogo com o parlamento europeu.

Em consonância com Guajajara, a socióloga e ativista do movimento de mulheres negras, Vilma Reis, pontuou que o debate da transição ecológica/energética a nível internacional deve levar em conta as demarcações de terras indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais, tendo em vista que são estas populações que tratam a terra como um verdadeiro patrimônio da humanidade.

Diretor do Centro de Diálogo e Cooperação Internacional da FRL, Boris Kanzleiter, diretora da América Latina da FRL, Karin Gabbert, socióloga e ativista do movimento de mulheres negras, Vilma Reis, presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, diretor do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo, Andreas Behn – Foto: Verena Glass.

Reis enfatizou a importância da construção de uma agenda política coletiva do ponto de vista da esquerda que coloque o tema da questão racial em destaque. E ponderou que, embora a construção de alianças seja importante, elas não podem subjugar as populações mais vulneráveis. A liderança negra enfatizou que são as mulheres negras que conduzem da esquerda para a esquerda.

A delegação da FRL participou de um café da manhã oferecido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no qual participaram os integrantes da direção do movimento.

Delegação da fundação Rosa Luxemburgo com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra em frente ao Armazém do Campo.

Durante o encontro, houve uma análise da situação política e do contexto eleitoral no Brasil, com destaque para os retrocessos da política fundiária, da proteção ao meio ambiente e da violação dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Os participantes também discutiram os sinais de esgotamento do neoliberalismo em escala internacional, a nova configuração das disputas geopolíticas e o risco de uma escalada belicista.

O presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, se reuniu também com a secretária executiva do Foro de São Paulo, Monica Valente. Eles dialogaram sobre as ações da articulação dos partidos e movimentos políticos latino-americanos e caribenhos.

Presidente do Partido da Esquerda Europeia e membro do partido alemão Die Linke, Heinz Bierbaum, e a secretária executiva do Foro de São Paulo, Monica Valente.

TRANSIÇÃO DE DIRETORIA

No dia 23 de agosto, foi realizada a cerimônia de transição de diretoria do escritório de São Paulo da Fundação Rosa Luxemburgo. Andreas Behn assumiu o cargo antes ocupado por Torge Loeding.

Na ocasião, foi promovido o debate “Resistir e construir: os desafios da democracia socialista”, que discutiu as perspectivas da esquerda internacional na construção de alternativas para além do capitalismo.

Participaram da mesa a socióloga e ativista do movimento de mulheres negras, Vilma Reis, a dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Kelli Mafort, e o integrante da direção do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. A mediação ficou a cargo do então diretor do escritório da Fundação Rosa Luxemburgo, Torge Loeding.

No mesmo dia, foi oficializada a posse de Andreas Behn, que assumiu a direção do escritório em São Paulo e passa a comandar as ações da organização no Brasil e no Paraguai.

Além da delegação alemã, a atividade contou com a presença de parceiros da fundação e integrantes de partidos de esquerda e organizações de movimentos sociais brasileiros.

A Fundação Rosa Luxemburgo é uma organização alemã vinculada ao partido Die Linke que atua com projetos de cooperação internacional sediada em Berlim e com escritórios na África, América, Ásia Europa e Oriente Médio.

O Partido da Esquerda Europeia (EL) foi fundado em Roma em 2004 e atualmente conta com cerca de 40 membros, observadores e partidos parceiros de 25 países. A agremiação reúne forças socialistas, comunistas, verdes e outras forças democráticas e progressistas.

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