Missão Paz lança o projeto Vozes e Olhares - Fundação Rosa Luxemburgo
série audiovisual

Missão Paz lança o projeto Vozes e Olhares

São nove vídeos com histórias de mulheres migrantes e refugiadas

No próximo dia 18 de novembro, a Missão Paz, instituição que há mais de 80 anos atua no apoio e acolhimento de pessoas migrantes e refugiadas em São Paulo, fará o lançamento do Vozes e Olhares, série audiovisual que apresenta histórias de mulheres congolesas, filipinas e venezuelanas.

A série foi desenvolvida em parceria com o Feitos de Coragem, projeto audiovisual que registra histórias de migração. Ao todo serão lançados três vídeos documentais e seis animações, sendo que os lançamentos dos documentários serão feitos durante eventos online com a presença de representantes da Missão Paz, dos realizadores e das mulheres que protagonizam os episódios da série, debatendo questões de migração, refúgio e a realidade das mulheres dentro desse contexto.

“O objetivo da série é acolher, ouvir e apoiar as mulheres migrantes e refugiadas que corajosamente dividiram conosco suas histórias”, relata Clarissa Paiva, assessora de projetos da Missão Paz e idealizadora da série, além disso, “nosso desejo é que esses preciosos relatos de vida possam nos inspirar a criar novas realidades no contexto migratório”, complementa Pe. Paolo Parise coordenador da instituição.

Os vídeos documentais trazem as histórias de Hortense Mbuyi, da República Democrática do Congo, de Jona Acosta, das Filipinas e Rockmillys Basante, da Venezuela, que contam os motivos e os caminhos que as trouxeram ao Brasil. Os relatos explicitam os desafios, riscos e dores da migração e do refúgio, a saudade dos filhos e da família, a adaptação a uma nova cultura, os abusos sofridos no país de origem e no Brasil e a batalha por uma vida mais digna e feliz.

Já os vídeos de animação são baseados em depoimentos reais que foram adaptados e ganharam vida com as ilustrações da artista curitibana Katia Horn e as locuções de mulheres também migrantes e refugiadas dos mesmos países das que concederam os relatos originais. “Durante a etapa de pesquisa, coletamos dezenas de histórias emocionantes que foram registradas apenas em áudio. Decidimos, então, adaptar alguns desses depoimentos, criando roteiros e ilustrações que foram fotografadas e editadas com movimentos sutis e delicados”, conta Juliana Sanson, uma das realizadoras da série.

Todos os vídeos serão publicados ao longo dos meses de novembro e dezembro tanto no site e nas redes da Missão Paz quanto nas redes sociais do Feitos de Coragem.

Esse projeto tem como parceiras apoiadoras a Fundação Rosa Luxemburgo e a Fundación Avina e foi produzida pelos cineastas Juliana Sanson e Gustavo Castro, da produtora Fabulário Filmes, criadores do Feitos de Coragem que, desde 2019, realiza oficinas de Storytelling e Realização de Vídeos com migrantes e refugiados que vivem no Brasil.

Serviço:

Lançamento da série – 18/11 – YouTube da Missão Paz com retransmissão no Facebook da Missão Paz.

Para saber mais acesse:

📷 Instagram do Feitos de Coragem

🌐 Site do Vozes e Olhares

Série mulheres migrantes, mulheres
refugiadas: a desafiadora realidade para a
mulher que migra

A realidade da migração internacional feminina na contemporaneidade tem se tornado cada vez mais presente no contexto global, de modo que, longe de serem vítimas, as mulheres são decididas e criativas ao buscar novos contextos de vida para si e para seus familiares em um outro país. O que implica diferentes desafios para elas conforme a condição na qual decidem migrar. Pois, nem toda mulher está completamente desamparada, tornando importante a quebra de estereótipos e suposições sobre o gênero feminino.

Porém, estar salva e segura tem sido uma provocação para as mulheres que migram, já que no momento que deixam as suas casas ou fogem delas, estão expostas a várias situações de Violência Baseada no Gênero (incluindo abuso sexual, abuso psíquico, violência física, esterilização forçada e uso de contraceptivos), ataques xenofóbicos, racistas, deportação, exploração e tráfico humano, são uma das questões que as mulheres migrantes e refugiadas precisam enfrentar. A proteção para elas pode mudar de acordo com o país de destino, mas não invalida a possibilidade de estarem em risco, posto que políticas de proteção estatal seguem em suma uma lógica patriarcal e militarista.

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, em seu artigo 3°: “todo indivíduo tem o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. ” Mas, isso não é tão simples assim para as mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade e com necessidades de regularização migratória, dificultando inclusive, a busca pela equidade de gênero no fenômeno da migração.

É necessário ressaltar que para mulheres migrantes e refugiadas negras, asiáticas e indígenas essas vulnerabilidades podem ocorrer de maneira acentuada perante as experiências de mulheres brancas no processo de mobilidade humana – uma vez que, muitas delas acabam tendo que enfrentar situações de racismo e xenofobia para sobreviver. E esta realidade, infelizmente, se apresenta muito fortemente para as mulheres que buscam o Brasil como país de destino para viver. Assim, também faz parte da nossa responsabilidade coletiva ter contato com essas realidades e combater as desigualdades e violências vivenciadas por elas.

Pois, ao refletirmos sobre as condições de vulnerabilidade social que são postas as mulheres migrantes e refugiadas, seja no seu país de origem, no país de transito ou de destino, muitas mulheres ainda continuam silenciadas e sem possibilidades de lutar e exigir seus direitos, o que reforça estereótipos sobre o gênero feminino quando elas são na verdade um potencial de mudança para a sociedade na qual estão presentes.

Por fim, o objetivo específico desta série é acolher, ouvir e apoiar as mulheres migrantes e refugiadas que corajosamente dividiram conosco suas histórias de vida, e que através delas possamos nos inspirar e criar juntos novas realidades advindas do contexto migratório.

República Democrática do Congo

Venezuela

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