Além de ações nos territórios, organizações reivindicam ações emergenciais para conter o avanço da Covid nas camadas mais pobres da população
 
Movimentos populares, organizações sociais e moradores de periferias em todo o Brasil estão se mobilizando para reverter um dos principais traços do avanço da pandemia: o recorte sócio-racial das vítimas de Covid 19. As ações no território vão da doação de alimentos à divulgação sobre os cuidados necessários para a prevenção da doença, passando também – é claro – pela elaboração de uma pauta emergencial de reinvindicações aos governos para que considerem as desigualdades sociais no Brasil na formulação de políticas públicas.
“Tem um genocídio em curso com as populações das periferias, principalmente, população negra”, avaliou Tiaraju D’andrea, pesquisador do Centro de Estudos Periféricos – CEP, durante a live Periferias contra a Pandemia. “A gente só vai se salvar se estivermos todas juntas e juntos, solidárias e solidários”. O grupo de pesquisa divulgou o documento Propostas de Medidas Urgentes para a Contenção da Covid-19 nas Periferias.
Dois dos principais movimentos populares do Brasil – o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) – lançaram uma plataforma com uma série de reinvindicações para o poder público . Além das demandas, as organizações têm atuado diretamente nos mais diversos territórios para mitigar os efeitos do avanço da pandemia. Keli Mafort, da direção nacional do MST, destacou que, para superar a pandemia e a crise, é necessário enfrentar o projeto político que de quem está no poder. O movimento já doou mais de 2.300 toneladas de alimentos em todo o país. Jussara Basso, integrante da coordenação do MTST , ressaltou que a pandemia potencializa a desigualdade racial e social. Na tentativa de minimizar os impactos sanitários e econômicos da pandemia, o movimento lançou uma campanha online para arrecadar verba para o Fundo de emergência para Sem-Tetos afetados pelo coronavírus.
“A gente pode ver que a presença do estado na periferia é a polícia. É preciso se construir uma política pública que seja efetiva”, afirmou Débora Dias, coordenadora da UneAfro, que por meio da Campanha apoio permanente para as famílias atingidas pelo Covid-19, viabilizou o apoio imediato a mais de 15 mil pessoas. “Como discutir o autocuidado e dizer que as pessoas devem ficar em suas casas se a classe trabalhadora está nas ruas?”, questionou Rita de Cássia, representante do MSTB – Movimento Sem Teto da Bahia.
“A política acaba tendo um caráter decisivo entre quem vai poder sobreviver e que vai ser deixado para morrer”, complementou Jorge Pereira, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo – Brasil e Paraguai. Em São Paulo, por exemplo, epicentro da pandemia, os bairros periféricos concentram o número de vítimas e a chance de um negro morrer com o coronavírus é 62% maior, segundo dados do boletim epidemiológico da Prefeitura de São Paulo.
Anielle Franco, do Instituto Marielle Franco, acredita que o número de mortes provocadas pelo novo coronavírus é maior do que os indicados nas estatísticas oficiais nacionais. Isso porque, só estão sendo testados os casos graves, de quem vai para os hospitais. O instituto desenvolveu o  Mapa Corona nas Periferias  com o intuito de dar visibilidade às iniciativas populares de combate contra o coronavírus.

Conheça algumas das iniciativas citadas no debate:

📌 Periferia Viva

📌 Campanha Ajude os Sem-Teto a Enfrentar o Corona 

📌 Mapa Corona nas Periferias

📌 Propostas de Medidas Urgentes para a Contenção da Covid-19 nas Periferias

📌Agentes Populares de Saúde

📌Campanha apoio permanente para as famílias atingidas pelo Covid-19

 

Veja o vídeo completo do bate-papo Periferias contra a Pandemia:


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