Série “Papo Livre” discute o transporte como um direito

O Coletivo Entrelinhas e o Movimento Passe Livre produziram a série Papo Livre, que discute o direito ao transporte e as vantagens de se adotar a tarifa zero. Confira os episódios:

1. Corte e encurtamento das linhas de ônibus

O primeiro vídeo da série, publicado em janeiro de 2020, trata da reformulação do sistema de ônibus em São Paulo, marcada pelo corte e encurtamento de linhas e redução da rede de atendimento.  Assista a seguir o vídeo que deu início a série “Papo Livre”.

 

2. Gênero, raça e transporte

Mulheres negras ou não brancas são maioria entre quem usa transporte coletivo em São Paulo hoje, de acordo com dados sobre desigualdade de gênero e raça no país. Além de pagar o valor abusivo das passagens, viajam submetidas a condições precárias do sistema, que são consequências de uma visão do transporte que não trata usuários como pessoas e sim como números.

Do lado oposto, a maioria dos que definem as políticas de transporte são homens brancos – que não dependem de transporte público para se deslocar. A precariedade do transporte coletivo é reflexo de um sistema que aprofunda as desigualdades de raça e gênero. Corpos diferentes têm condições distintas ao se moverem pela cidade.

Os lucros e ganhos políticos ficam para uma minoria e o cansaço, a superlotação, a demora e os aumentos da tarifa são jogados nas costas de pessoas negras e mulheres.

 

Sobre o tema, leia também a dissertação de mestrado de Haydée Svab: Evolução dos padrões de deslocamento na região metropolitana de São Paulo: a necessidade de uma análise de gênero.

 

3. Por que a tarifa aumenta?

Você já deve ter reparado que aos fins de semana, os ônibus demoram muito mais para passar. Agora, em meio à pandemia do Covid-19, algo parecido tem acontecido: o intervalo entre as viagens dos ônibus está ainda maior, o que faz com que, quando eles chegam, não estejam tão vazios quanto poderiam.
Por que isso acontece se as medidas de saúde indicam que devemos evitar aglomerações?
Simplesmente porque as empresas de ônibus recebem seus lucros pela tarifa paga por passageiro. Ou seja, quanto mais cheio o ônibus, maior o lucro. Ao mesmo tempo, quanto menos ônibus circulando, menores os gastos com combustível, salários, manutenção etc.
É por isso também que esses empresários sempre pressionam os políticos para que a tarifa aumente. O risco que estamos vivendo agora, com o coronavírus, nos ônibus cheios, é uma consequência de como o transporte é organizado no geral.


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